segunda-feira, junho 12, 2006

Sobre Passar e Partir

Tem os que passam
e tudo se passa
com passos já passados

Tem os que partem
da pedra ao vidro
deixam tudo partido

E tem, ainda bem,
os que deixam
a vaga impressão
de ter ficado.


Alice Ruiz

Um bom casamento deve ser construído

No casamento, as pequenas coisas são as grandes coisas.

É jamais ser muito velho para dar-se as mãos.

É lembrar de dizer "te amo", pelo menos uma vez ao dia.

É nunca ir dormir zangado. É ter valores e objetivos comuns.

É estar unidos ao enfrentar o mundo. É formar um círculo de amor que una toda a família.

É proferir elogios e ter capacidade para perdoar e esquecer.

É proporcionar uma atmosfera onde cada qual possa crescer na busca recíproca do bem e do belo.

É não só casar-se com a pessoa certa, mas ser o companheiro perfeito."

E para ser o companheiro perfeito é preciso ter bom humor e otimismo. Ser natural e saber agir com tato.

É saber escutar com atenção, sem interromper a cada instante.

É mostrar admiração e confiança, interessando-se pelos problemas e atividades do outro. Perguntar o que o atormenta, o que o deixa feliz, por que está aborrecido.

É ser discreto, sabendo o momento de deixar o companheiro a sós para que coloque em ordem seus pensamentos.

É distribuir carinho e compreensão, combinando amor e poesia, sem esquecer galanteios e cortesia.

É ter sabedoria para repetir os momentos do namoro. Aqueles momentos mágicos em que a orquestra do mundo parecia tocar somente para os dois.

É ser o apoio diante dos demais. É ter cuidado no linguajar, é ser firme, leal.

É ter atenção além do trivial e conseguir descobrir quando um se tiver esmerado na apresentação para o outro.

Um novo corte de cabelo, uma vestimenta diferente, detalhes pequenos mas importantes.

É saber dar atenção para a família do outro pois, ao se unir o casal, as duas famílias formam uma unidade.

É cultivar o desejo constante de superação.

É responder dignamente e de forma justa por todos os atos.

É ser grato por tudo o que um significa na vida do outro.


(Baseado nos livros: Um presente especial – cap. A arte do matrimônio, na mulher o homem aprecia, no homem a mulher aprecia.)

Canção da Plenitude

Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

Lya Luft

As Sem-Razões do Amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade

Esperando por Ela

Relembro o tempo em que tudo começava
A minha espera por algo, por alguém...por ninguém.
Por esperar, somente.
De repente, a sua chegada!
Surpreendente! Duas vidas! Estranhas e apaixonadas!
Fiquei conhecendo a quem não me parecia tão desconhecida.
Apertamos nossas mãos? Parece que sim. Não me lembro.
Falamo-nos. Falou-se de quase tudo, é bem verdade.
Procurei deixá-la à vontade. Enquanto a observava, atento.
Seus gestos. Seu sorriso. Sua ternura. Seus mistérios.
Ansiava por novidades. E observava mais. Cada vez mais.
Enquanto ensaiava um medo de perdê-la. Sem ainda entendê-la.
Queria conquistá-la. Que isso já fosse fato consumado.
Um pouquinho que fosse. Por alguns segundos.
Mas contentava-me com o que ela quisesse.
Ou com o que me dissesse para fazer. Que eu faria..
E, claro, sem nada exigir. Contando apenas com a espontaneidade.
Enfim, queria muito para tão pouco tempo. Assim pensava.
Mas queria. Disso eu já tinha certeza.
Não sabia porque, em meio à tanta gente, na rua,
Ou outro qualquer lugar, só a v ia. Só a escutava.
Depois, veio a primeira separação. Considerei assim.
Fiquei só. Refletindo. Ofuscado pelas cores da ilusão.
E também dos sonhos. Cuidando para não perder a razão.
Surgiram, assim, sem cores, a primeira prosa, algumas rimas.
Muitas emoções. Muitas dificuldades também.
Mas resolvi insistir. Persistir.
Àquela altura nada mais dependeria de mim.
Tinha certeza disso. Pelo menos, exclusivamente.
Mas muito mais dela. Ou não necessariamente.
Quase que somente dela. Digamos assim.
E até hoje, nada consigo fazer sem a sua ajuda.
Amar, viver, e até escrever. As coisas do coração,
Tornaram-se rotinas insuportáveis, sem o seu auxílio.
Sem o auxílio dela.
Da inspiração...

Domingos Oliveira Medeiros

Eu te amo (Escolhas...)

Eu te amo como um colibri resistente
incansável beija-flor que sou
batedora renitente de asas
viciada no mel que me dás depois que atravesso o deserto.
Pingas na minha boca umas gotas poucas
o que nem é uma vacina.
Eu uma mulher, uma ave, uma menina…
Assim chacinas o meu tempo de eremita:
quebras a bengala onde me apoiei, rasgas minhas meias
as que vestiram meus pés
quando caminhei as areias.

Eu te amo como quem esquece tudo
diante de um beijo:
as inúmeras horas desbeijadas
os terríveis desabraços
os dolorosos desencaixes
que meu corpo sofreu longe do seu.
Elejo sempre o encontro
Ele é o ponto do crochê.
Penélope invertida
nada começo de novo
nada desmancho
nada volto
Teço um novo tecido de amor eterno
a cada olhar seu de afeto
não ligo para nada que doeu.
Só para o que deixou de doer tenho olhos.
Cega do infortúnio
pesco os peixes dos nossos encaixes
pesco as gozadas
as confissões de amor
as palavras fundas de prazer
as esculturas astecas que nos fixam
na história dos dias

Eu te amo.
De todos os nossos montes
fico com as encostas
De todas as nossas indagações
fico com as respostas
De todas as nossas destilairias
fico com as alegrias
De todos os nossos natais
fico com as bonecas
De todos os nossos cardumes
as moquecas.

Elisa Lucinda

Metade Ideal

Amei-te porque em ti,
minha impetuosidade encontrou refreio
Porque tua doçura retemperou
a intrepidez dos meus anseios
E tua serenidade mesclou de paz meu turbilhão.

Aprendi contigo que o silêncio, as vezes é de ouro
Na tua quietude descobri mais um tesouro
E na tua disciplina, a sábia
voz de um pai ou um irmão.

Amei o encanto da tua fala,
a magia do teu sorriso
Amei o teu recato, a tua prudência
e até a tua timidez
Amei o teu jeito único
E mil vezes eu te amaria outra vez.

Humana,
também amei o invólucro que aninha teu ser
E assim, amei teu corpo,
teus olhos, teu cheiro
Amei em ti o que não morre,
e o que em ti, há de perecer.

Já não questiono se tua ausência
é um bem ou um mal
Apenas submeto-me passiva,
ao traçado do meu destino
Que aparta-me de ti
e me priva da minha METADE IDEAL.

Fátima Irene Pinto

Use e Abuse

Dou-te o direito de usar e abusar
desse largo sorriso
todas as vezes que eu chegar,
de me olhar inteira e elogiar
o cuidado que eu tive para te agradar,
de inundar de esperança o meu momento,
de comungar o meu pensamento,
de adivinhar os meus desejos,
de me cobrir inteira de beijos,
de entender os meus dissabores,
de aceitar meus outros amores,
de pensar em mim com carinho
mesmo quando esteja sozinho,
de me levar a dançar sem avisar,
de me enviar rosas vermelhas antes de chegar,
de puxar a cadeira quando eu me sentar,
de estar presente sempre que eu precisar,
de ficar triste quando eu chorar,
de pedir desculpas quando me magoar,
de me carregar nos braços quando eu quiser voar,
de me dizer "te amo" sem que eu precise pedir,
de cobrir meus ombros quando frio eu sentir,
de me dar seu peito para dormir,
de chegar primeiro se um encontro marcar,
de não me soltar se eu quiser ficar.
Use e abuse do espaço que lhe dou
sem macular aquilo que sou.

Cleide Canton

Ama-me

Ama-me por amor somente.
Não digas: " Amo-a pelo seu olhar,
o seu sorriso, ou modo de falar
honesto e brando.
Amo-a porque se sente minh'alma em
comunhão constantemente com a sua"
Porque pode mudar isso tudo, em si
mesmo, ao perpassar do tempo,
ou para ti unicamente.
Nem me ames pelo pranto que a
bondade de tuas mãos enxuga,
pois se em mim secar, por teu
conforto esta vontade de chorar,
teu amor pode ter fim!
Ama-me por amor do amor,
E assim me hás de querer por
toda a eternidade.

(Madre Teresa de Calcutá)

O Amor Maduro

O amor maduro não é menor em intensidade.
Ele é apenas quase silencioso.
Não é menor em extensão.
É mais definido, colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações: presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas: amplia-se com as ausências significantes.
O amor maduro tem e quer problemas, sim, como tudo.
Mas vive dos problemas da felicidade.
Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem e o prazer.
Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.
Na felicidade está o encontro de peles, o ficar com o gosto da boca e do cheiro, está a compreensão antecipada, a adivinhação, o presente de valor interior, a emoção vivida em conjunto, os discursos silenciosos da percepção,o prazer de conviver, o equilíbrio de carne e espírito.
Carne intensa, alegre, criança, redescobrimento das melhores dimensões pessoais e alma refeita,abastecida de todas as proteções necessárias,
um enorme empório de afinidades acima e além de meras concordâncias intelectuais.
Os problemas daí derivados são os problemas da felicidade.
Problemas, sim, alguns graves.
Mas estalantes de um sentimento bom.
Na infelicidade estão a agressão, o desamor,o não conseguir, a rejeição, a dor, o cansaço,a troca com perda, a obrigação, o tédio, o desencontro,o insulto, o ciúme machucante, as futricas de família, as peles se eriçando e os toques que dão susto.
Os problemas da infelicidade não devem ser trazidos para a trama do amor maduro.
O amor maduro é sólido e definido.
Mas estranhamente se recolhe quando invadido pelos problemas
da infelicidade que fazem a glória do amor imaturo.
Acaba acabando.
O amor maduro não disputa, não cobra,pouco pergunta, menos quer saber.
Teme, sim.
Porém não faz do temor argumento.
Basta-se com a própria existência.
Alimenta-se do instante presente valorizado e importante porque redentor de todos os equívocos do passado.
O amor maduro é a regeneração de cada erro.
Ele é filho da capacidade de crer e continuar.
É o sentimento que se manteve mais forte depois de todas as ameaças,
guerras ou inundações existenciais com epidemias de ciúme, controle ou agressividade.
O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu mesmo tendo ficado para depois.
Vive do que fermentou criando dimensões novas para sentimentos antigos, jardins abandonados cheios de sementes.
Ele não pede, tem.
Não reivindica, consegue.
Não persegue, recebe.
Não exige, dá.
Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz.
Só teme o que cansa, machuca ou desgasta.
O amor maduro não precisa de armaduras, coices, cargos,iluminuras, enfeites, papel de presente, flâmulas, hinos, discursos ou medalhas:
vive de uma percepção tranqüila da essência do outro.
Deixa escapar a carência sem que pareça paupérrima.
Demonstra a necessidade sem que pareça voraz. Define uma dependência
sem que se manifeste humilhante.
O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão.
Basta-se com o todo do pouco.
Não precisa nem quer nada do muito.
Está relacionado com a vida e sua incompletude, por isso é pleno em cada ninharia por ela transformada em paraíso.
É feito de compreensão, música e mistério.
É a forma sublime de ser adulto e a forma adulta de ser sublime e criança.
É o sol de outono: nítido mas doce.
Luminoso, sem ofuscar.
Suave mas definido. Discreto mas certo.
Um sol, que aquece até queimar.

Arthur da Távola

Sentir-se Amado

O cara diz que te ama, então tá.
Ele te ama.
Sua mulher diz que te ama,então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas.
Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra.
Uma diferença de quilômetros.
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida,
que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você quando for preciso.
Sentir-se amado é ver que ela lembra das coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo dágua.
Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão...
Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.
Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.
Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é,
sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.
Sente-se amado
quem não ofega mas suspira;
quem não levanta a voz mas fala;
quem não concorda mas escuta.

Agora sente-se e escute:
Eu te amo não diz tudo !

Martha Medeiros

É Assim Que Te Quero, Meu Amor

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Pablo Neruda

Todo Casal Deveria Ler...

Aos casados há muito tempo, aos que não casaram, aos que vão casar, aos que acabaram de casar, aos que pensam em se separar, aos que estão juntos, amigados, colados, aos que acabaram de se separar, aos que pensam em voltar.

Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga. Tudo o que todos querem é amar.

Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata. Que nos faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado. Tem algum médico aí??? Depois que acaba esta paixão retumbante, obra o que? O amor. Mas não o amor mistificado, que muitos julgam ter o oder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos, o entimento que temos por mãe, pai, irmão, filho.

É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo. Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus.

A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragíliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna.

Casaram. Te amo prá lá, te amo prá cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso.

É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência... Amor, só, não basta. Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber levar.

Amar, só, é pouco. Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar. Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar. Entre casais que se unem visando à longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um.

Tem que haver confiança. Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não
significa,necessariamente, fusão. E que amar, 'solamente', não basta.

Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, falta discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência.

O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.

ARTHUR DA TAVOLA

Se o Amor Pudesse

Se o amor pudesse de repente compreender,
toda loucura que o amor pode conter,

se pudesse num momento de razão
saber ao menos o quanto doi uma paixão,

quem sabe o amor ao descobrir a dor de amar partisse
embora pra nunca mais voltar,

mas me parece que uma prece ia nascer na voz de quem o amor mas fez sofrer,
a lhe dizer que vale mais morrer de dor
do que viver num paraiso sem amor.


(Vinicios de Moraes e Maria Medalha)

Escritas

"Nesse físico de um deus grego,
Numa intensa relação,
Eu pálida e bêbada , tremo
E me afogo e me sufoco
Entre loucura e paixao

Quero fundir meu corpo,
No teu corpo junto ao meu.
Nos teus braços serei cega
Pra que sejas o meu guia.
Nos seremos a matéria,
Nosso amor será a energia.

Se esse amor me modifica,
Me transforma, me edifica,
Se ele afeta tanto a mim,
também te transformara.
A energia desse amor
Afetou-nos para sempre
E a matéria que hoje somos
Outra matéria será...

Seremos dois novos amantes
Pelo amor energizados
Transformados,
Mas em que??
Quem eras antes de mim??
Quem sou depois de você??

No meu seio serás meu,
Para o uso que quiser.
Nos teus braços em abandono,
Ao teu lado sou mulher.

Poema do livro: A marca de uma lagrima

Pedro Bandeira

Milágrimas

Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério, deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa, coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas, viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena, reze um terço
Caia fora do contexto, invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal, do sal, do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem, mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre

Alice Ruiz

Quem Namora

Quem namora agrada a Deus. Namorar é a forma bonita de viver um amor. Não namora quem cobra nem quem desconfia. Namora, quem lê nos olhos e sente no coração as vontades saborosas do outro. Namora, quem se embeleza em estado de amor. Namora, quem suspira, quem não sabe esperar mas espera, quem se sacode de taquicardia e timidez diante da paixão. Namora, quem ri por bobagem, quem sente frios e calores nas horas menos recomendáveis.
Não namora quem ofende, quem transforma a relação num inferno, ainda que por amor. Amor às vezes entorta, sabia? E quando acontece, o feito pra bom faz-se ruim. Não namora quem só fala em si e deseja o parceiro apenas para a glória do próprio eu. Não namora quem busca a compreensão para a sua parte ruim. O invejoso não namora. Tampouco o violento! Namorados que se prezam têm a sua música. E não temem se derreter quando ela toca. Ou, se o namoro acabou, nunca mais dela se esquecem. Namorados que se prezam gostam de beijo, suspiro, morderem o mesmo pastel, dividir a empada, beber no mesmo copo. Apreciam ternurinhas que matam de vergonha fora do namoro ou lhes parecem ridículas nos outros. Por falar em beijo, só namora quem beija de mil maneiras e sabe cada pedaço e gostinho da boca amada. Beijo de roçar, beijo fundo, inteirão, os molhados, os de língua, beijo na testa, no seio, na penugem, beijo livre como o pensamento, beijo na hora certa e no lugar desejado. Sem medo nem preconceito. Beijo na face, na nuca e aquele especial atrás da orelha, no lugar que só ele ou ela conhece.
Namora, quem começa a ver muito mais no mesmo que sempre viu e jamais reparou. Flores, árvores, a santidade, o perdão, Deus tudo fica mais fácil para quem de verdade sabe o que é namorar. Por isso só namora quem se descobre dono de um lindo amor. Só namora quem não precisa explicar, quem já começa a falar pelo fim, quem consegue manifestar com clareza e facilidade tudo o que fora do namoro é complicado. Namora, quem diz: "Precisamos muito conversar"; e quem é capaz de perder tempo, muito tempo, com a mais útil das inutilidades e pensar no ser amado, degustar cada momento vivido e recordar palavras, fotos e carícias com uma vontade doida de estourar o tempo e embebedar-se de flores astrais. Namora, quem fala da infância e da fazenda das férias, quem aguarda com aflição o telefone tocar e dá um salto para atendê-lo antes mesmo do primeiro "trim". Namora, quem namora, quem à toa chora, quem rememora, quem comemora datas que o outro esqueceu. Namora, quem é bom, quem gosta da vida, de nuvem, de rio gelado e parque de diversões. Namora, quem sonha, quem teima, quem vive morrendo de amor e quem morre vivendo de amar.

Artur da Távola

Caminhada

"Se eu puder caminhar observando a amplidão do horizonte...
Não terei pressa, andarei mesmo assim com passos largos...
Terei a minha frente o infinito e poderei construir minha passagem...
Se eu vejo a amplidão, me vejo sem limites...
Não existirá em meu trajeto obstáculos intransponíveis...
Mas preciso da amplidão como espelho...
Na verdade não quero o fim da caminhada, não quero um
objetivo a minha frente como uma marca de chegada...
Quero a trilha e dela sentir sede de conquista-la para todo o sempre...
Se levantar os olhos e ver esta amplidão...
Estarei trilhando... Passo a passo... Estarei a caminho...
E com um horizonte tão imenso a minha frente, não
terei retornos, não vou questionar o que passou...
Apenas irei...
Se eu olhar para o lado e você estiver lá...
Estarei sorrindo, e certa de que emoções vividas não são vãs...
Te oferecerei a minha mão e poderemos ir juntos...
Passo a passo...
Em frente, com o mundo todo se abrindo a cada movimento
e sem nunca querer chegar ao fim....
Você não é perfeito...
Não gosto de perfeição, mas o que existe em você, o que sinto...
O que "vejo" faz com que eu deseje olhar a amplidão,
e queira caminhar em sua direção..."

Autor Desconhecido

Afinidade

Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois.
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente também.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi.
Ter afinidade é muito raro.
Mas, quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com,
Não é sentir contra,
Nem sentir para,
Nem sentir por,
Nem sentir pelo.
Sentindo, é olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida.

(Artur da Távola)

Kit Ternura

Trouxe para você
um kit ternura.

Vem composto
de um beijo molhado e aquecido
no ponto ideal.
Para não causar resfriado
nem queimadura de terceiro grau.

Uma mordiscada
para ser usada por perto da nuca,
de preferência sempre perfumada;
um sussurro na orelha,
no lado de trás,
onde o arrepio se satisfaz;

um abraço tão justo, tão justo,
que o coração pode levar um susto
com medo de ser atropelado;

um carinho tão preciso
que lhe faça desvestir o juízo,
e de tal habilidade,
que, a cada recaída minha
de infidelidade,
possa servir como abono.

Um aviso
para ser colado à testa
e em toda fresta que você tiver:

"Tem dono".

Flora Figueiredo

Meu Amor

De ti somente um nome sei, Amor,
É pouco, é muito pouco e é bastante
Para que esta paixão doida e constante
Dia após dia cresça com vigor!

Como de um sonho vago e sem fervor
nasce assim uma paixão tão inquietante!
Meu doido coração triste e amante
Como tu buscas o ideal na dor!

Isto era só quimera, fantasia,
Mágoa de sonho que se esvai num dia,
Perfume leve dum rosal do céu...

Paixão ardente, louca isto é agora,
Vulcão que vai crescendo hora por hora...
O meu amor, que imenso amor o meu!

Florbela Espanca

Só de Sacanagem


Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro.

Do meu dinheiro, do nosso dinheiro, Que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós. Para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz. Mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó E dos justos que os precederam: “Não roubarás”. “Devolva o lápis do coleguinha”. “Esse apontador não é seu, minha filha”.

Pois bem, se mexeram comigo, Com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, Então agora eu vou sacanear: Mais honesta ainda vou ficar!

Só de sacanagem! Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba” E eu vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez”. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.

Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau. Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. E eu direi: “Não admito, minha esperança é imortal”. E eu repito: “Ouviram? IMORTAL!”

Sei que não dá para mudar o começo Mas, se a gente quiser, Vai dar para mudar o final!


Elisa Lucinda

Silêncio Amoroso

    Deixa que eu te ame em silêncio
    Não pergunte, não se explique, deixe
    que nossas línguas se toques, e as bocas
    e a pele
    falem seus líquidos desejos.

    Deixa que eu te ame sem palavras
    a não ser aquelas que na lembrança ficarão
    pulsando para sempre
    como se o amor e a vida
    fosse um discurso
    de impronunciáveis emoções.


Affonso Romano de Sant'Anna

Sobre a atual vergonha de ser brasileiro


"Projeto de Constituição atribuído a Capistrano de Abreu:
Art. 1º - Todo brasileiro deve ter vergonha na cara.
Parágrafo único:
Revogam-se as disposições em contrário."


    Que vergonha, meu Deus! ser brasileiro
    e estar crucificado num cruzeiro
    erguido num monte de corrupção.

    Antes nos matavam de porrada e choque
    nas celas da subversão. Agora
    nos matam de vergonha e fome
    exibindo estatísticas na mão

    Estão zombando de mim. Não acredito.
    Debocham a viva voz e por escrito.
    É abrir jornal, lá vem desgosto.
    Cada notícia
    - é um vídeo-tapa no rosto.

    Cada vez é mais difícil ser brasileiro.
    Cada vez é mais difícil ser cavalo
    desse Exu perverso
    - nesse desgovernado terreiro.

    Nunca te vi tamanho abuso.
    Estou confuso, obtuso,
    com a razão em parafuso:
    a honestidade saiu de moda,
    a honra caiu de uso.

    De hora em hora
    a coisa piora:
    arruinado o passado,
    comprometido o presente,
    vai-se o futuro à penhora.
    Me lembra antiga história
    daquele índio Atahualpa
    ante Pizarro - o invasor,
    enchendo de ouro a balança
    com a ilusão de o seduzir
    e conquistar seu amor.

    Este é um país esquisito:
    onde o ministro se demite
    negando a demissão
    e os discursos são inflados
    pelos ventos da inflação.

    Valei-nos Santo Cabral
    nessa avessa calmaria
    em forma de recessão
    e na tempestade da fome
    ensinai-me
    - a navegação.

    Este é o país do diz e do desdiz,
    onde o dito é desmentido
    no mesmo instante em que é dito.
    Não há lingüistica e erudito
    que apure o sentido inscrito
    nesse discurso invertido.

    Aqui
    o dito é o não-dito
    e já ninguém pergunta
    se será o Benedito

    Aqui
    o discurso se trunca:
    o sim é não,
    o não, talvez,
    o talvez,
    - nunca.

    Eis o sinal dos tempos:
    este é o país produtor
    que tanto mais produz
    tanto mais é devedor.

    Um país exportador
    que quanto mais exporta
    mais importante se torna
    como país
    - mau pagador.

    E, no entanto, há quem julgue
    que somos um bloco alegre
    do "Comigo Ninguém Pode",
    quando somos um país de cornos mansos
    cuja história vai ser bode.

    Dar bode, já que nunca deu bolo,
    tão prometido pros pobres
    em meio a festas e alarde,
    onde quem partiu, repartiu,
    ficou com a maior parte
    deixando pobre o Brasil.

    Eis uma situação
    totalmente pervertida:
    - uma nação que é rica
    consegue ficar falida,
    - o ouro brota em nosso peito,
    mas mendigamos com a mão,
    - uma nação encarcerada
    doa a chave ao carcereiro
    para ficar na prisão.

    Cada povo tem o governo que merece?
    Ou cada povo
    tem os ladrões que a enriquece?
    Cada povo tem os ricos que o enobrecem?
    Ou cada povo tem os pulhas
    que o empobrecem?

    O fato é que cada vez mais
    mais se entristece esse povo
    num rosário de contas e promessas,
    num sobe e desce
    - de pranto e preces

    Ce n'est pas un pays sérieux!
    já dizia o general.
    O que somos afinal?
    Um país pererê? folclórico?
    tropical? misturando morte
    e carnaval?

    - Um povo de degradados?
    - FIlhos de degredados
    largados no litoral?
    - Um povo-macunaíma
    sem caráter nacional?

    Ou somos um conto de fardas
    um engano fabuloso
    narrado a um menino bobo,
    - história de chapeuzinho
    já na barriga do lobo?

    Por que só nos contos de fada
    os pobres fracos vencem os ricos ogres?
    Por que os ricos dos países pobres
    são pobre perto dos ricos
    dos países ricos? Por que
    os pobres ricos dos países pobres
    não se aliam aos pobres dos países pobres
    para enfrentar os ricos dos países ricos,
    cada vez mais ricos,
    mesmo quando investem nos países pobres?

    Espelho, espelho meu!
    há um país mais perdido que o meu?
    Espelho, espelho meu!
    há um governo mais omisso que o meu?
    Espelho, espelho meu!
    há um povo mais passivo que o meu?

    E o espelho respondeu
    algo que se perdeu
    entre o inferno que padeço
    e o desencanto do céu.


    Affonso Romano de Sant'Anna

La Marioneta

Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas, certamente, pensaria tudo o que digo.

Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.

Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem. Escutaria quando os outros falassem e gozaria um bom sorvete de chocolate.

Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, vestiria simplesmente, me jogaria de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como minha alma.

Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre estrelas um poema de Mario Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua. Regaria as rosas com minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo de suas pétalas.

Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida. Não deixaria passar um só dia sem dizer às gentes – te amo, te amo. Convenceria cada mulher e cada homem que são os meus favoritos e viveria enamorado do amor.

Aos homens, lhes provaria como estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar. A uma criança, lhe daria asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha.

Aos velhos ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento. Tantas coisas aprendi com vocês, os homens...

Aprendi que todo mundo quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa.

Aprendi que quando um recém-nascido aperta com sua pequena mão pela primeira vez o dedo de seu pai, o tem prisioneiro para sempre. Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.

São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas, finalmente, não poderão servir muito porque quando me olharem dentro dessa maleta, infelizmente estarei morrendo.

Johnny Welch

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